terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nuvem paisagista



         

Passa o dia, passa noite
Olho pro céus
Vejo nuvens que me roubam Lua, Sol e Estrelas
Oh nuvem estrondosa e indelicada

Traz-me sombra
Passagens de tempo
Chuvas
E também paisagens

Paisagem é complemento
Nuvem é um ativo complemento para uma paisagem
Olho pros céus faço minhas preces 
Pergunto-me, se nuvens fazem paisagens, será que Deus passa o dia desenhando?



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

                       Mundo doente




      
   Vivemos num mundo que sente dor, que respira e reflete a perda, vivemos em constantes mudanças. Em constante mobilidade percorremos nosso mundo em processo de conhece-ló e conhecer nós mesmo, procurando por nossos limites. Vivemos culpando uns aos outros pelos nossos tropeços, os quais cometemos a cada passo que damos, a mobilidade de cada passo que tem a cometer se dá às coisas boas e ruins, mas isso depende de como você encara a vida. 
    Você pode perceber que uns nascem pra viver, outros pra sobreviver, e outros pra existir.
    A ideia é ter dinheiro, o papel é importante, segundo seus pais, a escola, e o mundo, com a educação que você recebe desde de que você tem vontade e raciocínio próprio, que você muitas vezes se limita a ir atrás do que quer realmente, do que te da felicidade, então começa o individualismo, a vontade de crescer, muitas vezes também impondo a si mesmo um ideal de vida artificial sem retornos. O preconceito e a vontade de crescer vão te afastando das pessoas, das suas vontades, e do seu raciocínio próprio, prosseguindo a perda que gera dor e sofrimento.
    "A máquina frenética" se chama ser humano, e ela vai à busca do "papel mágico", o dinheiro, se limitando viver.
    Busca consciente é aquela que busca pela inteligência espiritual, podemos fazer um comparativo, como a borboleta e sua metamorfose ambulante que sai de seu casulo procurando a morte, sim porque por si só se encaminha a morte, a cada vôo um despertar de suas cores vibrando ao mundo, esse é seu maior suicídio que tem a cometer, mas ela não se rege, que aos olhos de alguns seja insignificante vida, ou uma i-munda, más poderá ser também um prato feito cheio de vida para seus predadores. Ninguém tem o direito de chamar ninguém de i-mundo, pois todos nós somos um Mundo, um só, de um jeito só. 
   A ideia é buscar por um ideal de vida inteligente, mas uma inteligência espiritual, que te faça viver bem, mesmo com a busca frenética por conforto e dinheiro. 
   A vida é um ciclo de contornos sem retornos, ou você vive hoje ou não vive.
  

      

domingo, 13 de janeiro de 2013

                       Enamorando o céu




Minha namorada é o Sol
Faço minha amante a Lua
Enamoro-as de modo que me enchem de energia
Alegro-me assim nesse contemplar

Estrela Walnut que estais nos céus 
Olhai por mim
Três Marias
Tenho esperança de que me ouçam enquanto sussurro
Fazendo minhas preces egoístas que só eu sei.

O meu coração vai de encontro a vocês nessas passagens de tempo
A cada dia uma roda gigante que gira e gira como um ciclo
Vou encontrando emoções na minha alma e razão na minha cabeça
Eu espero pela minha namorada, pela minha amante, e pelo emprevisto, as estrelas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

                  Mobilidade invisível


   Querer não é poder não é verdade, desejos a parte, não é complicado é só imaginar. Estive pensando em viver até os trinta anos, mas as vezes parece difícil, não sei ao certo, mas não tenho muitas expectativas daí pra frente, trinta parece ser ideal pra mim, trinta anos é o suficiente, três décadas, três opções.
   Eu fui até a praça onde costumo ir pra observar o movimento, um velho de barba amarela um desses viajantes, como se diz, bom acho que era um hippie, ele tinha uma espécie de tapessaria bordada com um monte de penduricalhos, artesanatos feitos a mão, sentou-se do meu lado me olhando, como quem quer conversar.
   __O que está observando menina? Eu fiquei pensativa, pensando se respondia a pergunta, mas era só um velho, não havia mal algum em responde-ló.
   __O movimento das pessoas, olha como essa praça está movimentada. Ele ficou me olhando desconfiado.
   __Tem certeza que é isso mesmo que está observando? Fiquei uns estantes olhando ele intrigada com aquela segunda pergunta, acho que deveria deixar esse velho de lado, é só um estranho que não tem ninguém pra conversar e veio falar comigo porque está sozinho, mas acabei encarando ele e disse.
  __Eu quisesse ser invisível. Intrigado ele pergunta.
  __Mas por que a menina quer ser invisível?
Eu fiquei pensando na resposta que eu daria a ele, mas primeiro eu teria que me perguntar porque uma menina como eu desejaria ser invisível. Talvez porque isso me tornaria uma mobilidade invisível em uma sociedade em constante movimento, mas eu queria mesmo era ser transparente aos olhos dos tolos que se movem a procura de um ideal de vida perfeito. Isso não é demais, essa ideia de buscar por um ideal de vida perfeito. Até então viver até os trintas anos parecia uma boa ideia, resolve contar ao velho que desejaria viver até os trinta anos. Me olhou nos olhos, fez cara de espanto, deu uma risada leve, e tornou a me perguntar.
  __Por que a menina quer viver até os trinta anos? Eu já sabia da resposta, eu já havia me perguntado isso antes.
  __Porque trinta é uma idade perfeita, três décadas, três opções.
  __Mas o que é que isso tem a ver com ser invisível e ter trinta anos?
  __Bom, você não entendeu, é que esses são meus dois desejos, viver até os trinta anos e daí em diante ser invisível. O velho soltou uma risada, dessa vez não foi leve, riu como quem ri de uma boa piada.
 __Mas menina, esse é seu desejo é um tanto egoísta você não acha? Achar, ou não achar, tanto faz, estava certa de que esse era o meu maior desejo naquele momento. Imagina só, eu invisível transitando pelos tolos numa avenida movimentada. Não, na verdade seria mais interessante se minha invisibilidade me tornasse capaz de transitar pelo mundo, com os automóveis em movimento, pessoas por toda parte. Por um momento achei que fosse me perder em minha imaginação, tolice minha imaginar isso, então eu disse ao velho o seguinte. __Viver até os trinta anos e ser como os outros, daí em diante ser invisível e transitar pelas pessoas sem que percebessem minha decadência e minha maturidade. O velho indagado com aquela ideia maluca, me mostrou um livro que carregava consigo.
  __Olha menina, esse livro é de muitas páginas mas tem grandes ensinamentos você vai gostar, é de um autor muito conhecido Paulo Coelho, tenho aqui comigo um CD que se chama Enigma, você pode escutar enquanto lê. Eu pensei em não aceitar, mas acabei pegando em suas mãos.
 __Obrigada senhor, eu precisava mesmo de algo diferente pra sair da rotina. Eu disse rotina, sim, então eu estive pensando esse ano eu quis tanto sair da rotina, que me mudei de casa, escola, amigos, cabelo, e até de conceito sobre as pessoas, mas isso tudo ainda não foi o bastante, me sinto um milho no pacote de feijão, e quero novamente fazer tudo de novo na esperança de mudar alguma coisa em minha vida, ou melhor me mudar por dentro, porque por fora só o tempo pode me mudar.
  A idade não muda nada em relação as pessoas, o que muda são as mentes. Idade não faz diferença desde que mente bata com mente. Eu ouvi isso uma vez de um mendigo, John Lennon é o nome dele, quis me lembrar dessa frase pra pensar sobre esse meu desejo egoísta de querer viver até os trinta anos de idade, sobre não querer envelhecer com medo da minha vaidade se perder, sobre ter que levar a velhice adiante.
  Ele ficou me olhando por uns instantes e começou a fazer um color de três pedras, fez o colar com tanta precisão usando um cordão de linho e três pedras diferentes, uma verde, uma azul, e outra vermelha, e foi entregando em minhas mãos.
  __Toma, essas três pedras representam três décadas, e três opções. Você me disse que tem dois desejos,
no final da sua última década encontra o sentido da última pedra, a qual a fará ter o terceiro desejo.
  Lembrei que as horas se passavam e de que eu tinha um compromisso pra mais tarde, agradece o velho mais uma vez, sai as pressas com o colar de três pedras carregando-o em minhas mãos em direção a minha casa. Fiquei pensando sobre a terceira pedra, a terceira década, e a terceira opção, e o que seria meu último desejo, não vi sentido algum nisso, grande besteira essas pedras que o velho me deu, não há mais sentido em minha vida que poça me fazer mudar de ideia, mas o que afinal poça vir a ser meu terceiro desejo. Eu peguei o livro para ler, tinha mesmo muitas páginas, o título era Alquimista, até então nunca tinha ouvido essa palavra nem se sequer sabia o que significava, coloquei o CD para ouvir. Fiquei um certo tempo lendo e ouvindo música, mas eu estava tão ansiosa pro compromisso que eu tinha mais tarde que não entendia muito bem o que o livro de Paulo Coelho e as músicas do Enigma queriam me dizer.
  Eu tinha um encontro com o Jhon ás 20:00, fui tomar um banho, coloquei meu melhor vestido, um bom perfume, penteei meus cabelos. Pra ser sincera isso eram coisas que eu não fazia com tanta frequência, porque não via sentido em me arrumar se não tivesse alguém pra me olhar, tanto que isso me fazia mal, pesava minha auto-estima, mas é que eu não via um motivo maior pra mudar de opinião.
  Cheguei na praça ás 20:00 como combinado, afinal era um encontro e eu não podia me atrasar, Jhon me esperava no banco da praça debaixo de uma árvore perto do bar de castello, estava todo ansioso, quando me viu, me beijou no rosto me deu um aperto de mãos em seguida um abraço, disse que eu estava linda, agradece e sorri, pois não é todo dia que se recebe um elogio, sentei ao seu lado.
  __Confesso que estava ansiosa em ver você, pensei nesse encontro a semana todo, olha oque estou dizendo, logo eu toda orgulhosa. Sorri.
Sim eu era mesmo muito orgulhosa a ponto de dizer que estava com saudade, mas ele me conhece, sou sincera e logo digo a verdade. Ficou me olhando, como isso me assusta, com um silêncio enigmático, olhar sínico, como quem sempre sabe da verdade e está por cima.
  __Lelia eu também estava com saudade, não tem porque desse orgulho, o orgulho só nos afasta.
  __Eu sei, por isso não estou me limitando mais a dizer o que penso, posso te contar uma coisa?
 Ele ficou em silêncio, mas fez que sim com a cabeça.
  __Hoje eu estava aqui na praça sozinha e veio um velho falar comigo, me deu de presente um livro, um CD e um colar de três pedras, sinceramente eu não vi muito sentido nisso, mas mesmo assim aceitei, acha que fiz certo?
  Sabe Lelia, acho que essa pergunta você tem que fazer a si mesma, a gente nunca sabe ao certo oque queremos, só sabemos como queremos nos sentir, se pegou o livro, o CD e o colar deve apenas agradecer e encontrar sozinha o sentido disso.
  __Obrigada John. Eu apenas agradeci a ele, pois era uma coisa que eu tinha que fazer mais vezes, ouvir e agradecer oque pessoas tem a me dizer.
A noite foi longa naquele dia, eu e John ficamos acordados até o nascer do sol encobertos com uma coberta de lã, na varanda da casa de seu tio Margete. Jhon é um garoto adorável e muito carinhoso com seu instinto protetor, me abraçou bem forte de um jeito que está sempre tentando cuidar de mim, já passou pela minha cabeça  ficar eternamente com um homem só, cuidando de nossos filhos, preparando o jantar, esperando ele voltar do trabalho, até que todos na casa durmam para amanhecer na manhã seguinte...

Eu vou ler o livro, ouvir o CD, me apaixonar pelo velho, me tonar uma grande mulher a seu lado, perder o velho hippie, encontrar Jhon outra vez, ter um filho, e depois perder o jhon e cuidar de nosso filho sozinha sem medo de envelhecer...


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

                              Voa vento



Céus me transforme num pássaro 
Me leve de montanha a deserto
O que tenho a perder debaixo de sol escaldante de um deserto
Comparado a sombra de uma montanha.

Eu tenho inveja do vento 
Que viaja tão longe sentindo os prazeres da vida
Que vai de encontro a seu destino incerto
Que vai e volta quando bem entende

Vento meu amigo e meu inimigo
Me trás e me leva vontades
Quando bem entende
Não tem sentimentos nem responsabilidade

Queria me transformar num pássaro para lhe acompanhar
Vento que não tem sentimento nem responsabilidade
Me transforme em sua amante
Um pássaro amante

Se te falta sentimento
Não se preocupe
Eu poço preencher esse seu vazio não tão vazio
Em um livro de estórias sem fim a imaginação.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

                          Ambiente lunar





  Ao apreciarmos a lua podemos perceber que o que muda a lua é o ambiente. Engraçado eu contar sobre isso, acho que estou procurando a resposta para a pergunta que a minha amiga, me fez há alguns anos atrás, a qual um amigo me fez a mesma pergunta recentemente. Pensei para responder a essa pergunta simples e tão duvidosa, é certo que a lua pode ser vista por vários outros pares de olhos, etnias, espécies e mares, mas de certo ela nunca vai ser vista diferente, maior ou pequena, às vezes ela estará acompanhada de milhares de estrelas ou quase nenhuma estrela, algumas nuvens a mais, alguns prédios, sem falar nos vários lugares que a vão acompanhar, e os pássaros, os aviões navegando a céu aberto, e a natureza em encontro com a Lua.
   Talvez seja mesmo difícil responder a essa pergunta, ou talvez seja simples, "será que todo mundo vê a lua como eu vejo?"
   Bom depende, não só do que a acompanha, mas também do ambiente, da emoção e do sentimento em que você relaciona a ela ali presente. Mas de qualquer forma saiba a lua nunca vai ser vista do mesmo jeito que você a vê ao olhar de outros, e também nunca vai ser maior de que seu dedo polegar, de qualquer lugar onde esteja.
   A minha resposta a essa pergunta, “se todos nós vemos a lua do mesmo jeito”, é não, realmente cabe a pessoa que a aprecia relacionar sua história de vida, sua etnia, seus sentimentos, suas emoções no ambiente ali presente.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

                   Querido Papai Noel



Venho de um lugar bem deslocado, moro num povoado distante e estranho. Aqui as pessoas são simpáticas vivem cumprimentando umas as outras, sabe eu acho isso tudo, um grande cinismo vindo da parte delas, mas tudo bem, até então eu morava na cidade grande, onde as pessoas não se comprimentavam com freqüência, por isso acho isso tudo um grande cinismo, não me cabe simplesmente compreender.

Hoje eu tenho 40 anos e uns quebrados à parte, que não valem contar. Quando eu era pequena entorno de uns 6, 7 anos eu não acreditava no senhor velhinho de roupa vermelha que vinha de longe trazer presentes as crianças.

Eu não tenho chaminé ou algo parecido, tenho janela aberta e isso não sei se basta, queria te pedir um presente, porque hoje faço prece aos céus quando estou em apuros, queria algo que me desse alegria, que já não encontro faz tempo, então senhor velhinho eu não sei ao certo o que eu quero, só sei como quero me sentir, mas será que é demais pedir ao senhor um presente que trouxesse felicidade, um sorriso sincero.

Eu me lembro das cartas que eu escrevia pro senhor na infância, quase sempre nunca foram correspondidas, quando eu te pedia uma boneca Barbie, a manhã seguinte me aparecia com uma Barbie paraguaia, sim ela era do Paraguai, "roupinha de cabaré", braços soltos, cabeça rolando, só o que me restava era brincar de futebol com a cabeça das bonecas que você me mandava, nunca duravam. Sem falar nos ursinhos que me lembravam monstros, de tão feiosos.

Peço encarecidamente que me traga esse ano Papai Noel, algo que me vala um sorriso sincero e que me dê totalidade de certeza da felicidade. É um gesto simples, sei que é difícil pro senhor, que viaja de longe no seu trenó cheio de bagagens, com suas renas travessas e desobedientes talvez, mas aqui no meu povoado é simples, moro dê frente à torre mais alta, rua com calçamento de segunda, vizinhos esquisitos, sabe no caminho você pode encontrar uns noias, e algumas prostitutas, "velhinhos e suas bengalas", mas não se intimide.

Não me cabe te pedir um presente caro, como um carro, porque as prostitutas e os viciados podem me roubar, e também tem os velhos dos muros que podem me invejar, eu também não quero uma bolsa Lois Vuitton nem um par de sapatos, nem aquele vestido vermelho, eu adoro essa cor, vermelho é uma cor muito atraente, mas enfim eu não vou te pedir nem um bem-material, como disse desde o inicio eu quero algo que me dê felicidade, não precisa vir numa caixa grande e com um laço enorme, eu quero algo simples para esse natal. Não sei se poço te pedir isso, afinal eu sou uma solteirona de 40 anos, tenho uma vida boa e agradável, poço viver muito bem com o que eu tenho até o fim da minha vida.

Engraçado a vida, eu me lembro de ter dito que queria viver até os 30 anos, e olha só onde eu estou 10 anos se passaram, eu tive meus momentos felizes, mas hoje vivo amargurada no natal, esperando que um bom velhinho vestido de vermelho, repito vermelho é uma cor muito atraente, com barba branca e macia, venha me trazer um presente que me dê felicidade, um sorriso sincero, e uma boa gargalhada. E é claro, eu vou deixar a janela aberta, te aguardo ansiosamente, e eu espero que os nóias, as prostitutas, e os "velhinhos de bengala", não o intimidem. Abraço.